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domingo, 20 de setembro de 2009

projeto interdisciplinar do 2009/1





O impacto das novas formas, foi o projeto desenvolvido durante o terceiro semestre por Ana Julia Büttner, Priscila Uba, Larissa Proni e Mariana Oliveira.

Inter relação entre arte, design e moda

Para relacionar design, arte e moda, primeiramente, é necessário entendê-los. O design é uma atividade orientada por um objetivo e não só voltada para solucionar um problema, é também “um campo estruturado por meio das relações entre o projeto, a criação, a tecnologia e a produção, sendo que estes aspectos dialogam e refletem os contextos culturais, econômicos e sociais”, diz MOURA (2006, p.1). A arte se manifesta de diferentes modos através das obras humanas, em especial através da música, da poesia, da escultura, da escrita, da pintura e etc., cada uma dessas com a intervenção do homem, o qual não busca a unanimidade, e sim o diferente. Já a moda é um fenômeno sócio-cultural que expressa os valores da sociedade – hábitos e costumes – numa determinada época.

“A arte recente tem utilizado não apenas tinta, metal e pedra, mais também ar, luz, som, palavras, pessoas, comida e muitas outras coisas. Hoje existem poucas técnicas e métodos de trabalho, se é que existem, que podem garantir ao objeto acabado a sua aceitação como arte. Inversamente, parece, com freqüência , que pouco se pode fazer para impedir que mesmo o resultado das atividades mais mundanas seja erroneamente compreendido como arte, diz ARCHER (2001, prefácio).

De acordo com Rita Maria de Souza Couto, o design é voltado para descobrimento dos componentes de uma estrutura física e como uma atividade criativa que supõe a construção de algo novo e útil para um ambiente material coerente e para atender as necessidades do homem: o mundo do design está ligado ao da estética e não necessariamente ao da arte.

Sendo assim a arte e o design são campos de conhecimento específico, e dialogam: universos com especificidades que se cruzam e se enriquecem, tanto nos pontos de dissonância quanto nos pontos de consonância. Não é apenas a igualdade que aproxima e sim a percepção das diferenças que geram ricas possibilidades de trocas.

Tanto a moda como o design são um conjunto organizado de conhecimento, pois utilizam métodos para organização do seu trabalho e para aumentar a sua eficácia, podendo utilizar-se da arte como fonte de pesquisa.

Assim, apresenta-se a seguir a biografia de Robert Rauschenberg, artista que será referência para o desenvolvimento deste projeto interdisciplinar.

Robert Rauschenberg

Robert Rauschenberg, nascido em 1925, é um artista americano com raízes artísticas: a pintura tradicional e a universalidade dos instrumentos expressivos modernos.

O artista estudou entre 1947-48 em Kansas City Art Institute tanto nos campos das artes literais como das artes aplicadas: historia da arte, projeto e composição, escultura, anatomia e desenho de moda. Trabalhou como decorador de vitrine, desenhou ornamentações cinematográficas e decorou estúdios fotográficos. Em 1949, no Black Mountain College, elegeu a fotografia como cadeira, e sua formação variada foi um dos requisitos para suas atitudes posteriores com referência ao conceito de arte.

Em 1948, Raushenberg foi a Paris e ali pintou paisagens e cenas urbanas no estilo tradicional. Retornou à América impressionado com o trabalho do artista Josef Albers, que o influenciou em seus primeiros quadros, concretos e filosóficos. Trabalhou, também, sobre o outro extremo da pintura e do expressionismo abstrato, a Action Painting, que integrava movimentos pictóricos, selvagens e explosivos.

Quando, em 1953, o criador borrou um desenho de Willem de Kooning – expressionista - pretendia criar uma linguagem artística a partir de nada, a partir da liberdade total. Suas colagens e assemblages, dos finais dos anos 1950 e começo dos 1960, foram como um estopim no desenvolvimento do Pop Art.

Ele pretendia confrontar as reproduções mecânicas triviais dos meios de comunicação com os elementos de desenho, pintura e escultura: o objetivo concentrado com o subjetivo, o pessoal em diálogo com o geral, o funcional e pré-fabricado em colaboração com o criativo. Essa mescla não correspondia aos critérios dos habituais estilos compositivos, que previam uma concepção consciente e transparente. Os quadros de Rauschenberg não cumpriam estes critérios, pois seus elementos livres e funcionais se combinavam de uma forma casual, e apareciam sem nenhum tipo de interpretação.

A universalidade, como motivo dominante nas obras dele, alude aos temas da filosofia da arte, os aspectos dos meios de massas e os instrumentos representativos. Entre eles se encontram os calços, o transfering, as imagens rasgadas (um jogo de crianças), as retículas, todas as técnicas possíveis da impressão gráfica, como a serigrafia e a reimpressão, os objetos trouvés, as fotografias, os recortes de periódicos, os comics, as letras e os textos, a pintura e os desenhos abstratos, primeiro dispostos de uma forma construtiva e logo colocados de forma casual.

A grande identidade das imagens dos meios de massa dentro dos quadros cria o espaço e surte efeito – a aparição e desaparição dos objetos perto e longe. Os Combine Paintings são montagens que entrelaçam os temas e seu significado com níveis abstratos e livres. O âmbito das experiências visuais se põe em contato com os símbolos e objetos da sociedade do consumo e o esbanjamento. São ícones da época ou também imagens das recordações. Os símbolos procedem de distintos níveis da realidade que se combinam de uma forma associativa e muito invocadora: os resíduos, a sociedade e os ossos se entrelaçam com signos positivos vivos, os highlights da história da arte com o presente, a vida diária e a política com aparatos e operários, o colorido se encontra com o negro. Mediante a nova combinação, o artista eleva os temas a níveis semânticos superiores.

Em suas próprias performances gostava de incluir outros artistas, buscando sempre o contato com as forças artísticas intelectuais mais diversas de sua época. Sempre tentou fundamentar a arte, a cultura e a ciência no sentido ideológico e filosófico. Daí que em 1966 fundara com o engenheiro Billy Klüver os Experiments in Art and Technology (E.A.T), que queriam relacionar a criatividade artística e os campos experimentais da técnica e da indústria.

No único auto-retrato de Rauschenberg, de 1965, seu próprio rosto é confrontado com tecnologia, as perspectivas filosóficas da credibilidade do progresso e as utopias civilizadoras. O auto-retrato o apresenta com um atributo do artista. A fotografia, como método moderno da cópia, o representa a ele mesmo. A pintura e o lápis são os materiais de trabalho tradicionais, e sua assinatura, a primeira inicial de seu nome invertida, é a marca de fábrica do artista desde Cuatrocento. O ouvido pode prestar atenção ao mundo e simbolizar atenção, comunicação, musicalidade e sensualidade. O material se encontra com o espiritual, a matéria da desmaterialização.

Rauschenberg participa do movimento Neodada – localizado na passagem do expressionismo abstrato à arte pop e ao minimalismo – liga-se a recuperação de algumas conquistas do movimento Dada, sobre tudo a atitude Dada no uso de objetos e temas derivados do mundo diário, da mídia e da publicidade, mitigando as fronteiras entre a arte e vida cotidiana. “Nós não procuramos nada, nós afirmamos a vitalidade de cada instante”, segundo Tzara (MORAIS, p. 211). O Neodada reabilita procedimentos como a Assamblege e a apropriação, pela utilização de objetos extra-artísticos nos trabalhos de arte.

Conceito de criação

O conceito de criação da coleção verão 2009 é baseado na idéia de impacto causado pelas assemblages de Rauschenberg e pelos materiais diferenciados utilizados em suas obras. Com base nelas definiram-se formas, volumes e estampas para a criação das peças, já para a cartela de cores foram analisadas as obras do artista e nelas as cores apropriadas para o consumidor e o seu estilo de vida.

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